O Carrasco do Amor – Irvin D. Yalom

Muito bom esse livro… Mistura equilibrada e saborosa de Filosofia e Psicologia. Seguem trechos de que mais gostei na introdução:

“Creio que o principal material da psicoterapia é sempre essa dor existencial – e não, como frequentemente se afirma, as lutas instintivas reprimidas ou os fragmentos imperfeitamente enterrados de um passado pessoal trágico.” (p. 12)

“No âmago de cada pessoa há um eterno conflito entre o desejo de continuar a existir e a consciência da morte inevitável.” (p. 13)

“O ser humano tanto afirma sua autonomia, pela auto-afirmação heróica, quanto busca segurança ao se fundir com uma força superior: isto é, a pesoa emerge ou se funde, se separa ou se insere. A pessoa se torna seu próprio genitor ou permanece como a eterna criança.” (p. 15)

“Somos seres que desejam estrutura, e ficamos amedrontados ante um conceito de liberdade que afirma que embaixo de nós não existe nada, apenas pura falta de fundamento.” (p. 16)

“Algumas pessoas têm desejos bloqueados, não sabem o que sentem nem o que querem. Sem opiniões, sem inclinações, elas se tornam parasitas dos desejos dos outros.” (p. 17)

“Um dos grandes paradoxos da vida é que a autoconsciência provoca angústia. A fusão elimina a angústia de modo radical – eliminando a autoconsciência. A pessoa que se apaixonou e ingressou em um bem-aventurado estado de fusão não é auto-reflexiva, pois o eu solitário conservador (e a concomitante angústia do isolamento) se dissolve no nós. Assim, a pessoa se livra da angústia mas perde a si mesma.” (p. 19)

“O amor é um mode de ser, um ‘dar a’, não um ‘enamorar-se’; um modo de se relacionar como um todo, não um ato limitado a uma única pessoa. Embora tentemos arudamente seguir pela vida dois a dois, ou em grupos, há momentos, especialmente quando a morte se aproxima, em que a verdade – de que nós nascemos sozinhos e devemos morrer sozinhos – irrompe com fria clareza.” (pp. 19, 20)

“Esse dilema existencial – um ser que busca significado e certeza num universo que não possui ambos – tem uma grande relevância para a profissão de psicoterapeuta. […] Na verdade, a capacidade de tolerar a incerteza é um pré-requisito para a profissão. […] Nós, psicoterapeutas, não podemos dizer a eles (os pacientes) você e seus problemas. Ao contrário, devemos falar de nós e de nossos problemas. […] Nós, todos nós, estamos juntos nisso.” (p. 21)

YALOM, Irvin D. O Carrasco do amor e outras histórias sobre psicoterapia. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

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