CAMINHAS DESLIZANDO A PERFEIÇÃO

“O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.” – Fernando Pessoa

Enquanto falas e não ouço
algo ininteligível
imagem e espelhos indizíveis que se vêem como visão espelhada
se cala perante o meu ver a tua boca
a tua boca de fenda reta
porém boca
lábios
lábios moventes róseos
no contorno da reta imóvel
rara
e reta.

Na verdade…
É tudo.
Tudo.

Tudo em ti
é
perfeição
lenta.

O ar em torno
o contorno
afetado
vagareia…

Quero
apenas
tudo.

Te mastigar com os últimos molares
e que me mastigues
sem dor nem pena
esquecendo belas teorias de amor sem posse
no instante em que esse outro te beija morno
rápido
acostumado
tendendo ao frio dos espelhos enigmáticos de que falas e não entendo
(rumino vulcões).

Mas…

Mastigar!
Mastigar agarrando sua santa pele branca
suas pernas belamente tortas (afinal, também humana!)
sim, competir, sim, brigar!

O não-ser é
ser mastigado
v i o l e n t a m e n t e
por sua vulva rósea alemã séria
que de tanto imaginar já provo
em minha boca molhada babando
a cada vez que seu olhar azul se esconde do meu
e me tem
e me teme
aumento
aumento quase do tamanho de entender o que dizes
mas seria uma perda de tempo
qualquer ato que não fosse
p-e-n-e-t-r-a-ç-ã-o.

3 respostas

  1. Muito bom. Porém, acho que grande parte da compreensão do poema só me atinge por conhecê-lo de bom tempo já. Ainda assim, achei um poema magnífico, creio que tem uma beleza que pode ser percebida além da compreensão do mesmo.Mas, que me parece muito mais interessante com a memória que me vem a certos versos, é real. Geezz, um dia vou escrever bem assim, vai ver só!Ja-ne. Hum… vou marcar nos favoritos para vir aqui mais vezes.

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