SUO

Suo. Está frio, mas suo. Escrevo com o estômago apertado. Superman perdendo poderes. Superman querendo perder os poderes e começar a viver. Escrevo pânico. Sinto raiva? Espero algo. Espero há tempos. Estalo os dedos. Não estou calmo. Longe disso. Esta sala (cela, ato falho) cheia de silêncio e perfume tenta me convencer que ela é o problema. Não é. Sou eu. Eu sou ou estou? Talvez seja a hora de abandonar a psicanálise… Ouço sons no corredor. O estômago se aperta ainda mais. Se tocar o telefone, acho que vou morrer… Nada e silêncio e frio e chuva: manhã. Costuma tudo melhorar à tarde. Mas não me consola. É tarde… Devo mesmo aprender piano e madrugar para fazer yoga pela manhã quando não quero nada, só dormir? Seria possível passar vinte e quatro horas por dia dormindo ininterruptamente, todos os trezentos e sessenta e cinco longos e intermináveis dias de todos os anos? Um sonho… É preciso sonhar.

(Fabio Rocha – 19/11/2004)

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