NOITE

A noite estava fria… Mais ainda ali na beira do lago. Nas árvores, os pássaros se protegiam, se encolhiam entre suas penas. O luar passava entre as folhas em alguns pontos, dando uma impressão solene à mata, meio enfumaçada. O vento que balançava os galhos trazia aquele cheiro gostoso de mato à noite. Ouvia-se o suave farfalhar das folhas… Nuvens quase transparentes passavam na frente da lua cheia. Parecia um céu daqueles que só se vê no cinema.
Um rápido meteoro interrompeu a lentidão da natureza, mas só por segundos… Luca rabiscou alguma coisa em seu caderno. Olhou mais uma vez a paisagem e ficou paralisado, pensativo. Mesmo naquela escuridão, um observador mais atento sentiria o brilho da tristeza saindo de seus olhos. Nostálgico, escreveu mais um pouco, sob a luz do luar. Seu reflexo prateado na superfície do lago parecia o atrair… Como o fogo atrai uma mariposa. Então, calmamente, levantou, tirou toda a roupa e se jogou na água.
O som ínfimo do mergulho se perdeu entre os sons da mata, do lago, da noite. Pequeno como nosso mundo no universo infinito. Uma brisa suave fez as folhas das árvores e do caderno se agitarem, mas a última continuava ali, aberta para as estrelas lerem:

Reflexos e Reflexões

Na noite escura, algo se fortalece…
Ou apenas eu espero que isso aconteça.

Querendo me misturar às estrelas,
me jogo nas águas negras.

Mas a ilusão de estar entre os astros refletidos
nada adianta.
E o que eu esperava?

E nem a lua, nem as estrelas, nem um rápido morcego que passou tão rente ao lago que pareceu tocá-lo, viu Luca sair das águas gélidas naquela noite.

(Fabio Rocha – 1999)

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