ARROUBO

A semana se estendia ao sol, enfadonha, atemorizante, semana de pura ansiedade nos plexos e pressa nos prédios, onde noventa por cento da humanidade perdia tempo trabalhando em algo que odiava. Longa, longa… Mas, tendo estado com ela no sábado, quase valia. Valia a mais valia. Valia mais que um Valium a lembrança dos infinitos minutos com ela, sorrindo abobado nas abóbadas celestes, tomando sorvete, vendo um filme idiota qualquer, qualquer banalidade se transformava em alegria. E a semana não fluía. Parecia ainda pior. Mas valia por ter final. Um final com sorrisos, um porto, uma chegada. Ou valia mais ainda porque ela não lhe queria?

(Fabio Rocha – 2006)

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