POEMA EGOCÊNTRICO

“Minha poesia solta o freio de mão da palavra pare” – Nicolas Behr

Minha poesia não faz referências:
prefere ter conteúdo.
Minha poesia não quer ser levada a sério:
prefere brincar.
Minha poesia tem alergia à poesia ruim
e caso a crase passe nas normas da hermenêutica,
para não perder a rima, chego ao fim.

Uma resposta

  1. Que egocentrismo (e alergia) saudável!Por isso a tua poesia é mágica: por essas razões e outras mais. As palavrasSão como um cristal,as palavras.Algumas, um punhal,um incêndio.Outras,orvalho apenas.Secretas vêm, cheias de memória.Inseguras navegam:barcos ou beijos,as águas estremecem.Desamparadas, inocentes,leves.Tecidas são de luze são a noite.E mesmo pálidasverdes paraísos lembram ainda.Quem as escuta? Quemas recolhe, assim,cruéis, desfeitas,nas suas conchas puras?(Eugénio de Andrade)Felizmente que existem pessoas enriquecidas com tal preciosidade –as palavras “de cristal”- e com a soberba capacidade mágica de as manter no seu estado bruto ou poli-las ao sabor da sua vontade/intuição… e felizmente que há quem, ainda, as escute, leia e recolha assim “nas suas conchas puras”!

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