PONTAL

Pedra antes de tudo pedra
quantos infinitos
oceanos silenciosos
cheios de carinhos, algas e ostras
passaram sob ti?

E esse céu
pintado de auroras marginais
com sangue e vento
ornado de agora
desde sempre?

(Cresce verde em teus velhos musgos
e a noite vem enganar a todos
com a mudança)

6 respostas

  1. Ao ler este poema, instintivamente, ocorreu-me uma imagem, tal qual uma fotografia onde se encontravam registados cada pormenor da paisagem ( “a pedra” quieta e imponente, um mar calmo -“os oceanos silenciosos”-, as “algas”, as “ostras”, o “céu” avermelhado, “o musgo” verde) e onde se conseguia ainda sentir as emoções através do quente jogo de cores. Magnífico este poema!Absorvi esta paisagem (em especial a pedra) como a vida de alguém: pávida e serena – solitária até, mas forte e firme -, cujo tempo vai passando, levando e trazendo consigo os dias e as demais emoções, e a qual continua… pávida e serena… e firme na sua atitude expectante (face à sua impotência) perante as – constantes – mudanças!

  2. Fábio :Imagens inusitadas e um certo tom filosófico permeiam este poema.Sei que deves falar da Praia do Pontal, prá lá da Barra da Tijuca, mas teu modo de poetar tem originalidade.Abs.Ricardo Mainieri

  3. Lindo! Entrou pra minha lista de FAVORITOS dentre teus poemas. Consigo sentir o sabor das palavras deliciosamente colocadas. E imaginar (lembrar) a cor, o cheiro da paisagem… Beijos meus

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