SÚBITO

Súbito
sábado sabia
o que sempre soube
o sabiá.

2 respostas

  1. Uma vez mais… magnífico!Gosto da força e da intensidade que impõe o “Súbito” aparecendo logo no título e no primeiro verso… e a consequente descida melódica na leitura do poema. Resultado (penso!) do belo paradoxo do “súbito” que supõe algo de extraordinariamente repentino (o leitor fica expectante ao que aí vem), para de repente se confrontar com o “sempre”… que traz um sentimento de desilusão e de decepção (quase apetece afirmar o óbvio: afinal que poderia sábado saber que o sabiá não soubesse já??). Contudo, julgo haver ainda algum contentamento e júbilo, ainda dado pelo exaltante “súbito”, pois o mais importante, no fundo, é que “sábado sabia” (a descoberta!).Belo jogo de palavras utilizando a aliteração na repetição do som “ss”!Parabéns!

  2. É, acho que tem um nível de Filosofia que é indizível… Heráclito e Nietzsche chegam perto disso quando falam, respectivamente, em “o tempo como uma criança jogando” (o ayón) e a teoria do “eterno retorno”. No poema me veio a intuição que lendo isso no sábado, apesar da aparente complexidade, me pareceu que um sabiá já sabia. Mas não se prenda a minha interpretação… Aliás, não sei o que estou fazendo explicando poemas. 🙂 Beijos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *