poemas antigos

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

PEDAÇO DO HINO NACIONAL

nossos postos de gasolina
vendem álcool para carros e pessoas
ó patriamada idolatrada salvesalve

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

ADIO O DIA

Adio ainda
o dia.

Há dias
que adio.

Adianto
que há ainda
esperanças
de dar adeus
ao velho eu
sentado sob esta mesa
atrás desse micro.

Uma pergunta de aço:
sou o que faço?

(Fabio Rocha)

PERSPECTIVA

quanto mais alto vôo
melhor percebo
a gaiola

(Fabio Rocha)

SEM MAIS

concedo à folha
o silêncio
que concebo

(Fabio Rocha)

BATALHÃO DE CHOQUE

preciso achar um tempo
no meio do tiroteio
pra falar daquelas flores
daquelas flores caídas
daquelas flores abertas
nas calçadas da favela
colorindo rosa-choque

(sim, apesar de tudo, é primavera)

(Fabio Rocha)

PAZ: A CHEGADA

A luz faz
muito silêncio
mas
a escuridão traz
revoluções e incêndios.

A luz celestial templária faz
ascensão de almas inexistentes
num céu de anjos tortos
e deuses julgadores mortos.

No entanto,
sozinho
no silêncio da luz da casa simples
além do tempo crono-lógico
a escuridão crepitante brilha
(perdida e recuperada).

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

ESTRELA DO CÉU DA BOCA

É tarde…

Lá fora as horas passam
no escuro.

Dentro em mim um anjo puro
deixa tudo claro.

(Fabio Rocha)

DESISTIDOS TÍTULOS

Vende 7 selos
grita no vermelho
sente o teu silêncio…

Sente o teu silêncio
olha quem vem nele
pára de correr.

Sente teu silêncio
no banco da pressa
olha o que se passa
natureza morta.

Sobe o teu olhar
sabe o teu olhar
sábio teu olhar
pra dentro.

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

HORIZONTE

Como escapar
de querer
o longe?

(Fabio Rocha)

(ME)

amaldiçoo o silêncio
que me leva a
(me) criar

(Fabio Rocha)

MICROHIPOCRISIA

eu não vivo de comer alface
pelo bem dos animais
porque as planárias
também têm ideais

(Fabio Rocha)

DA INTERPRETAÇÃO DO SONHO

Era eu num barco.

Ao lado, uma baleia preta
enorme como meu desejo.

Cientistas tentavam
contê-la, entendê-la, estudá-la.

Eu a admirava.

E ela mergulhou
livre
se foi lentamente.

Virou noite
e uma mulher sem rosto me disse
que as baleias, antigamente
eram livres pra nadar nas estrelas.

(Fabio Rocha)

EM SILÊNCIO

não faz barulho
quando se morre
e cai na terra
o que se era
o que se erra

(Fabio Rocha)

terça-feira, 8 de agosto de 2006

EU QUIS

fazer
um poema
bis
fazer
um poema
bis
fazer
um poema

(Fabio Rocha)

sábado, 5 de agosto de 2006

QUADRO DEPRESSIVO

Dentro em mim vermelho
caem muros altos
de castelos musgos
lentamente frios.

Escombros do todo.

Não quero saber
que parte da arte
partiu primeiro.

(Fabio Rocha)

NÁUFRAGO

Para Priscila Holanda

Quando tudo falha
e a madeira range
e a casa rui

Quando tudo ruim
e uma cor cinzenta
sombreia a placenta
sem nascer a luz

Quando o som da noite
entra pelo dia
trazendo vertigem
pra quem tem sentir

Quando o não sentido
se faz percebido
e o desespero
cabe num olhar

Quando a luta pouca
sai duma voz rouca
querendo dormir

Me agarro num poema.

(Fabio Rocha)

EU MUDO

Os telejornais
(ais ais ais)
todo dia inovando
em notícias iguais ais ais
e na mesma ordem
todo dia
esportes no final
todo dia
todo dia
como que dizendo sem dizer:
você não pode fazer nada a mais
para mudar o mundo.

O mundo…

Eu mudo
de canal.

(Fabio Rocha)

terça-feira, 11 de julho de 2006

ABRIR

romper os ciclos
ciclones
de visão que volta a ver
apenas o real
romper
romper
sair do repetitivo mesmo
sair, ver de fora
ver além
nem ver:
sentir

(Fabio Rocha)

UM POEMA

Venho por meio desta
achar tempo
para fazer um poema.

Um só
mesmo que correndo
enquanto os artistas da Globo
enquanto as novelas
enquanto as copas
as palavras sem valor
as horas sem valor
os dias
os anos
ânus
enquanto isso.

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 29 de junho de 2006

AO POETA DE 7 FACES

Preso ao mundo
aos celulares
às rotinas de escritório
às ansiedades
às cidades
às idades
solto minha poesia.

(Suspiro)

Solto minha poesia
para não pegar em armas
solto minha poesia
pois senão não viveria
até hoje, no meio do asfalto
a flor de Drummond.

(Fabio Rocha)

CHOVENDO

Olho fora o frio
e sorrio:
tenho uma estrela cadente
chovendo no peito quente…

(Fabio Rocha)

terça-feira, 9 de maio de 2006

PARA WALY SALOMÃO

Sento em frente à mesa
E olho o monitor
Enquanto dentro estranho
Um Waly Salomão que grita.

Enquanto sempre e santo
Um verso um canto dentro
Silencio fora
Contando os lucros
Organizando a contagem dos lucros de semblante sério
Ornamentando a organização doentia dos lucros silenciosos
Como marketing pessoal para um currículo futuro numa área que não quero
Que não quero, que não quero, que não quero, que não quero…

Mas espero…

E adio a hora
De partir da bosta
De partir pra vida
Ou pra mendicância
De partir, não interessa pra onde!
Partir ao meio o medo a razão o pé no chão o salário maldito mensal atrasado que não paga a manutenção do carro velho maldito quebrado e que se pagasse isso tudo faltaria para manter um carro melhor maldito ou outras inutilidades malditas mais caras.

E
Dentro
Waly
Salomão
Gritando, gritando
Subindo nas mesas
Chutando as telas
Correndo por tudo
Brincando de pega
Parando por nada
Gritando
Gritando grande
Do tamanho da noite
Do tamanho da morte infinita
Do tamanho da vida
Que passa…

Passa amanhã
a manhã
e a tarde
é já é tarde
em casa
sem estrelas
ligo a TV
e me pergunto
(mais calmo)
quando
pararemos
de perder
tempo.

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 24 de abril de 2006

CLIMA

Um ciclo se fecha
sem que os homens percebam.

Coincidências se unem
o fim toca o começo
e a eternidade sorri.

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 21 de abril de 2006

TANGO NO CARRO

a lua me sorri os dentes:
tenho a Estrela
nos braços

(Fabio Rocha)

RESISTO!

Existo!
Resisto à anestesia constante
de meus sentimentos.

Resisto ao sono com hora certa
para acordar cedo no dia seguinte
e trabalhar calmo e cordato no horário comercial do dia seguinte
depois dormir novamente pensando no outro dia subseqüente, calmamente.

Trago caneta
(não fumo)
e espada para cortar espelhos
óbvios, repetitivos e mornos
reais espelhos seguros…
Ansiolíticos espelhos!
(não bebo)

E sigo juntando cacos
e dinheiro
e palavras
no poema
sem tempo
ou disposição
para ser só.

Tempo.
O tema que não consegui
decifrar em 3 anos de psicanálise.
(Faltou tempo…)

Ouso buscar estrelas
e quase não acreditar quando as toco
(ser feliz, feliz, deliciosamente feliz como nem lembrava poder!)
mas me envergonho de passar os dias nesta sala
nesta sala condicionada
nesta sala condicionado
ao ar condicionado
tentando de tudo
pra matar o tempo
e não ver que o perco
no lugar errado
mesmo sabendo
que sou
que suo
que há estrelas lá fora
e um céu dentro de mim.

O tempo é que há
de me matar
e matar tempo
é perder tempo
de vida breve
de vida leve
devido a greve?

Devido à greve
de minha grave faculdade pública
minhas privadas faculdades mentais
me culpam pela não passeata?
Pela não concordância da greve?
Pela sala?
Pela cela?
Pela sela do cavalo alado que não monto
pela espada não imaginária que não aponto
contra o deserto do real espelho real enormemente real e colorido
que só consigo quebrar em versos brancos?

Suspiro.

Saudades da estrela.
Vontade de amanhã à noite.

O dia foi uma eternidade…
Quase tão longa quanto o poema.

(Fabio Rocha)

ESTELARES

Na primeira vez que vi Stella
acabou a luz do quarteirão.

Na segunda,
não soube o que tinha nas mãos.

Da terceira à septuagésima quinta
tentei ser amigo em vão.

E agora,
finalmente,
perdi as contas
o medo
a dúvida
e me permito nadar no céu.

(Fabio Rocha)

DANDO BANDEIRA

Eu quero a estrela da manhã
para aquecer meu coração
enquanto encho o bolso
e me esvazio de sentido.

(Fabio Rocha)

QUARTO QUINTO

(Para Pauvolid)

minha cama eh um deserto frio
um lençol de água concreta
uma torrente de arrepio
uma promessa, uma resposta vazia

(Fabio Rocha)

SEU PEDIDO, SENHOR?

Não, não quero um dia após o outro
quero tudo agora
tô cansado de adiar
de esperar
de lutar
de meditar
de procurar…

Quero rápido.
Pra viagem.

(Fabio Rocha)

NO CLIMA DE SÁBADO

Segunda-feira volto a trabalhar.
Segunda-feira volto a trabalhar?

Vão, vão pra passeata
protestem
reúnam-se
celebrem
embriaguem-se
danem-se…

Estou irremediavelmente velho
absurdamente cansado
não tenho dinheiro ainda
pra viver de versos
e dá um trabalho danado
colocar teorias poéticas
na prática…

Segunda-feira volto a trabalhar.
Segunda-feira volto a trabalhar?

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 22 de março de 2006

(PARENTES)

Gosto
quando os parênteses
protegem meu nome:

(Fabio Rocha)

ITINERÁRIO

A vida passa
a vida é essa
correria
na corrente
de água negra
de repente
um respiro:
paixão.

Volta a pressa
volta a vida
água fria
derradeira
quando muito
brincadeira
mas respiro:
outra paixão.

O rio muda
eu mudo
a paixão muda
a vida muda
mas a poesia fala.

(Fabio Rocha)

TENHO O QUE TEMO

E teimo em não saber
o que temo
nem o que tenho.

(Sem sim com
sigo…)

(Fabio Rocha)

COSTELA

Há uma rocha em meu nome
uma estrela inalcançável
fria e com frio
em meu peito
e uma vontade louca de achar
algo que devo estar procurando

(Fabio Rocha)

3 FRASES QUE ODEIO:

– Melhor eu ir, que tá ficando tarde.
– O que há entre nós é amizade.
– Quase não arde.

(Fabio Rocha)

SÓ JESUS TIRA DEMÔNIOS DAS PESSOAS

O céu caiu
como
invariavelmente
cai
depois da paixão.

(Mas ainda me surpreendo.)

Dentre escombros de nuvens etéreas
procuro o Deus inexistente
para matá-lo a gritos.

(Fabio Rocha)

DO NÃO SABER

Não dizer
não saber
não arriscar
não amar nem odiar
ser mais ou menos morno no murro…

Mais ou menos morto no muro…

O caminho do meio
leva à mediocridade.

(Fabio Rocha)

ONDE PARA?

Releio sem ler Schopenhauer
e reparo:
paro de novo.

Não querer nada,
nem céu
nem asas.

Não depender
de nada
além do agora.

Pra voar,
é preciso
não querer voar.

(Fabio Rocha)

FORA DO OVO

Vou e vou e vou
um pé após outro
tropeço e recomeço
e vou e vou e vou
até o vôo.

(Fabio Rocha)

CHUVAS DE VERÃO

um tiro
dois tiros
tostines
no chão

chove
e a cidade
se alaga:
sangue, biscoito e água

(Fabio Rocha)

SUAVEMENTE

você não me sai
da mente

(Fabio Rocha)

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