O despertar

Carlos acordou com o sol na cara. A dor de cabeça era tamanha que nem lembrava seu nome. Abriu os olhos e notou que estava na praia. Tinha dormido sobre uma garrafa de sidra. Que maneira de começar o ano…

Caminhou pela areia cheia de lixo, garrafas e camisinhas usadas, tentando chegar até seu carro. Queria ir pra casa, tomar um bom banho e tentar se recuperar daquele porre. Sua mãe devia estar desesperada com o seu sumiço. Mas então ficou em dúvida se tinha vindo mesmo de carro para Copacabana na noite anterior. Não conseguia lembrar nada.

Sentou-se no calçadão e só então notou que tudo estava muito quieto. Que horas seriam? Talvez fosse muito cedo. Não passava viva alma na rua, nem na praia… nenhum carro, nenhuma pessoa, nada. Começou a achar tudo muito estranho. Levantou-se e andou pela orla, procurando, cada vez mais desesperado, algum sinal de vida. Nada.

Meu Deus, o que poderia ser aquilo? A cada minuto que passava, mais nervoso ia ficando. Em sua mente vinham profecias de Nostradamus, textos sobre o apocalipse… E aquele silêncio longo… Interminável… Havia cadeiras caídas, carros largados no meio da rua, roupas pelo chão, lojas abertas… mas nenhum ser vivo!

Carlos começou a correr, desesperado, pelo calçadão de Copacabana deserto, tentando achar pessoas e respostas, mas não conseguiu. Depois de algum tempo, exausto, parou e voltou-se para o mar.

Foi quando viu na praia, perto da água, uma pessoa. Retomou o fôlego e foi correndo, gritando até ela. Era uma mulher. Que alívio não estar sozinho numa situação dessas… Ela olhava o mar, com uma expressão aborrecida. Segurava uma garrafa de sidra em uma das mãos e um rádio na outra.

Carlos perguntava desesperadamente o que tinha havido e ela olhava o mar, calada, com uma expressão grave. Por fim, acabou se voltando para ele e dizendo:

– Armas químicas! Elas falharam com nós dois não sei por quê.

Aumentou o volume do rádio. Em inglês, ouvia-se: “Agora a Amazônia é nossa.”

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